O desafio da qualidade na educação

O Diálogo Brasil desta segunda-feira reúne dois doutores em educação para debater a qualidade do ensino no país, que, segundo estudo recente do Instituto Paulo Montenegro, feito em parceria com a ONG Ação Educativa, ainda tem cerca de 38 milhões de analfabetos funcionais. Ou seja, três em cada dez brasileiros com idades entre 15 e 64 anos têm dificuldades para lidar com letras e números no dia a dia.
No programa, o professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) Erasto Fortes, que foi membro do Conselho Nacional de Educação e presidiu a Câmara de Educação Superior, faz um histórico da evolução do ensino no país desde o Brasil Colônia. E lembra que, pela Constituição de 1988, que este ano completa 30 anos, o analfabetismo deveria estar erradicado há duas décadas. “Nós temos uma dívida social com a educação brasileira que é impagável no período de um governo”, avalia.

“Para recuperar esse tempo perdido, nós temos que ter políticas de Estado. Gestão, que é fundamental, e, claro, avaliação mais investimento”, reitera o conselheiro do Movimento Todos pela Educação e professor da Universidade Católica de Brasília,Célio da Cunha, que foi coordenador editorial e assessor especial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). “É uma questão política hoje erguer à altura de uma política de Estado a área da educação”, insiste ele, criticando cortes de verbas e observando serem os momentos de crise a “hora da prova dos nove para saber se o país prioriza ou não a educação”.
Para Célio da Cunha, a tarefa demanda um ministro da Educação forte, com destacada autoridade no Estado, nos moldes que preconizava o filósofo grego Platão em A República. Ele lamenta que nem o piso salarial dos professores - instituído em 2008, e que não chega a R$ 2,5 mil este ano, para uma jornada de 40 horas semanais – é cumprido por todas as unidades da Federação. A propósito, diz o professor Erasto Fortes que “até as pastorinhas do frevo” sabem da desvalorização do magistério.
Fortes também critica a militarização da gestão de algumas unidades da educação pública país afora. Para ele, com o discurso de combater a violência nas escolas e melhorar a qualidade do ensino, o que está em andamento, na verdade, é um processo de conservadorismo e disciplinarização exagerados, inclusive com uniformes caros e cobrança de mensalidades. O professor defende que o caminho certo seria a adoção de um currículo estruturado com base no respeito aos direitos humanos e numa educação para a paz.
Também participam do programa, por meio de depoimentos em vídeo, o educador e ex-secretário de Educação de Pernambuco Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna; a coordenadora do comitê da Campanha Nacional pelo Direito à Educação no Distrito Federal, professora Catarina de Almeida; e o professor da Faculdade de Educação da UnB Luiz Araújo. O Diálogo Brasil vai ao ar toda segunda-feira, pela TV Brasil, sempre às 22h15.
Fonte: EBC

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