Para além do Pokémon GO: entenda a realidade aumentada e geolocalização

O aplicativo Pokémon GO! nem chegou ao Brasil e parece ter reinventado a realidade aumentada e o uso da geolocalização. Mas, na verdade, essas tecnologias são utilizadas há tempos.
A realidade aumentada está presente em nossa vida toda vez que projetamos um elemento virtual em nosso mundo de verdade.
Já a geolocalização é utilizada desde 2000 por praticantes do Geocaching, passatempo ao ar livre com o objetivo de encontrar recipientes escondidos pelo mundo.
Confira mais detalhes no vídeo abaixo:

Realidade aumentada para além do Pokémon Go; saiba o que é o conceito

Conectar o celular com o GPS, apontar a câmera, lançar a pokebola e pronto você pegou um Pokémon. Parece simples, mas por trás deste simples joguinho de celular que está conquistando o mundo está um conceito complexo e que faz cada vez mais parte do cotidiano: a realidade aumentada. A tecnologia apresenta muito mais possibilidades do que apenas ser um treinador pokémons. 
A chamada realidade aumentada (RA) é quando o mundo em que vivemos é ampliado e um elemento virtual é introduzido nele. “Realidade aumentada é quando você interage com o mundo real. Você utiliza a câmera do celular para que elementos virtuais ou 3D apareçam no mundo real. Você projeta o mundo virtual no real. Então você tem algum objeto real que vai dar início a uma experiência através de 3D ou de vídeos. O que vai aparecer sobre este ambiente real não importa muito. A ideia da realidade aumentada é que você sempre acaba utilizando algum tipo de câmera que capta o ambiente real e projeta um 3D em cima deste real.” explica Wellington Moscon, CEO da Go Epik, empresa de tecnologia. 

Realidade Aumentada em jogo infantil
Creative Commons - CC BY 3.0 - Realidade Aumentada em jogo infantil
Okseduard

Realidade aumentada na educação

Uma start up de Curitiba é pioneira no uso desta tecnologia na educação infantil. Para a empresa Eruga, smartfones e tablets podem ser bem-vindos na sala de aula e utilizados como auxiliares na educação. O diretor de Tecnologia da Informação do Eruga, Alex Werner explica como a RA é aplicada em sala de aula.




“O que a gente tenta fazer com a tecnologia é dar experiências concretas para alunos de coisas que seriam muito abstratas para se trabalhar, principalmente na educação infantil. Então, por exemplo, eu quero mostrar o que é o sistema solar para um aluno que nunca viu nada a respeito, que não entende como você pode estar dentro de um objeto esférico que está dentro do espaço. Como eu consigo mostrar isto de uma forma eficiente? Eu projeto um modelo 3D do sistema solar na frente dele usando realidade aumentada. Então ele está vendo uma interação entre o mundo real e o mundo virtual. Ele vai entender um conceito que é bem abstrato por meio do que a gente faz com a realidade aumentada.”, conta.
De acordo com o diretor com o uso da tecnologia os alunos ficam mais interessados e se concentram mais na aula, além de absorverem melhor os conteúdos ensinados.

Óculos como o Microsoft HoloLens ajudam a ver o mundo com a realidade aumentada
Creative Commons - CC BY 3.0 - Óculos como o Microsoft HoloLens ajudam a ver o mundo com a realidade aumentada
MetaMarket

Realidade aumentada nas empresas e na medicina

Outra possibilidade para a realidade aumentada é auxiliar no treinamento de funcionários e auxiliar na resolução de problemas a distancia. Um aparelho com problemas, por exemplo, pode ser consertado utilizando esta tecnologia. Quem explica como isto funciona é Wellington Moscon, CEO da Go Epik, empresa que já utiliza este método.  
“O ciclo completo funciona assim: as máquinas já tem sensores, então estamos falando de internet das coisas. A máquina avisa para o operador que ela vai ter um problema. Então ele recebe no celular um aviso dizendo 'estou com variação de temperatura'. Ele vai até a máquina, aponta para ela o celular e aparece em realidade aumentada todos os procedimentos que ele vai executar para realizar esta manutenção e identificar o que está acontecendo.”
De acordo com Wellington com o desenvolvimento da tecnologia dos smartphones, pode se pensar em usos deste tipo de aplicativos para a realização de tarefas que não estejamos acostumados. Como ajudar a trocar a tinta da impressora ou identificar o defeito de um carro que parou na estrada. O CEO ainda explica que caso não sejamos capazes de realizar estes procedimentos sozinhos poderíamos solicitar o auxílio de um especialista também utilizando RA.

Com óculos especiais é possível projetar no plano real itens virtuais para ajudar na execução do trabalho
Creative Commons - CC BY 3.0 - Com óculos especiais é possível projetar no plano real itens virtuais para ajudar na execução do trabalho
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“Caso um funcionário não consiga realizar estes procedimentos de manutenção ele pode pedir o auxílio de um especialista. Então imagina assim, ele está no chão de fábrica e ao invés de eu ter que deslocar um especialista hoje que entende muito daquele processo, ou daquela máquina. Deslocar este cara de outra cidade, ou até mesmo outro país. Eu utilizo um óculos de realidade aumentada, fico olhando para a máquina e o especialista estará no escritório dele, através de um notebook ou um computador visualizando a mesma coisa que está aparecendo no meu campo de visão. Então de onde ele estiver ele consegue inserir elementos de realidade aumentada no meu campo de visão para me dizer onde eu tenho que fazer a manutenção e o que eu tenho que verificar.”, conta.
Este mesmo procedimento, ele informa, pode ser aplicado para diversas áreas, incluindo a medicina. Imaginando por exemplo um médico especialista colaborando com os seus conhecimentos uma cirurgia delicada.
Ele faz questão de ressaltar que isto não é um conceito virtual de um futuro distante. “É algo que vai fazer parte do dia a dia da indústria. É algo que já está acontecendo, não é algo que vai acontecer. Cada vez mais a gente tem desenvolvido para grandes indústrias, ele tem visto ganho na qualidade do processo, na velocidade que alguns processos vem sendo executados que não era possível antes disto.”, afirma.

Realidade Aumentada permite projetar objetos em 3D
Creative Commons - CC BY 3.0 - Realidade Aumentada permite projetar objetos em 3D
Hagustin

Impacto do Pokémon Go na Indústria de TI

Todos os entrevistados são unânimes em dizer que o lançamento do Pokemon Go influenciou positivamente a indústria de tecnologia da informação porque populariza a realidade aumentada. Eles acreditam no desenvolvimento de novas tecnologias usando como base esse conceito.  
O diretor de TI da escola Eruga, Alex Werner, acredita que este tipo de jogo desperta a curiosidade e traz mais investimentos para a área. “É uma área nova no mundo todo, precisa de muito investimento tanto para construir conteúdo, quanto para trabalhar com a tecnologia em si. Então o investimento tem que acontecer no hardware, no software. Este tipo de atenção que vem com o jogo eu acredito que pode despertar o engajamento de várias áreas da indústria”.



Wellington Moscon, CEO da Go Epik conta que só o lançamento do jogo na  Austrália e na Nova Zelândia já foi o suficiente para aumentar a visibilidade da área. “Já está acontecendo. O nosso caso é um fundo de investimento que por causa do Pokémon Go estão querendo iniciar conversas. Pelo fato de terem visto que as ações da Nintendo subiram mais de 30%, pelo fato de terem visto a quantidade de usuários que estão utilizando o aplicativo, isso gerou um interesse instantâneo. Para nós foi superpositivo.”, conta.

Futuro da Realidade Aumentada


Com aplicações em diversas áreas, o que se pode dizer da realidade aumentada é que é provável que ela esteja cada vez mais incorporada ao nosso dia a dia. O analista de sistemas e entusiasta da realidade aumentada, Leandro Souza faz uma previsão do que se pode esperar.
“Eu vejo que a realidade aumentada, assim como a realidade virtual, ela vai transformar muito a vida de todos nós principalmente a interface homem-máquina. O que a gente vê nos filmes de ficção científica vai estar na nossa casa. Não posso precisar o tempo, mas isso vai chegar. O mercado todo de TI, que hoje a gente precisa usar teclado, mouse, etc, efetivamente tudo vai mudar e vai ser muito mais natural. A gente vai começar a tocar nos dados, interagir com  eles e não utilizar propriamente dito o computador.”, prevê.
Fonte: EBC - CREATIVE COMMONS - CC BY 3.0

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