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Comunidade tradicional brasileira se prepara para receber certificação internacional da FAO


Reconhecido mundialmente, o título de “Sistema Agrícola Tradicional Globalmente Importante”, já concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) a 41 sítios em 18 países do mundo, está mais perto de ser dado a comunidades e povos tradicionais do Brasil. Isso porque foi criado, em Diamantina, interior de Minas Gerais, o primeiro grupo de trabalho brasileiro que facilitará a obtenção do reconhecimento às comunidades de apanhadoras de flores sempre-vivas da região.


Reconhecido mundialmente, o título de “Sistema Agrícola Tradicional Globalmente Importante”, já concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) a 41 sítios em 18 países do mundo, está mais perto de ser dado a comunidades e povos tradicionais do Brasil. Isso porque foi criado, em Diamantina, interior de Minas Gerais, o primeiro grupo de trabalho brasileiro que facilitará a obtenção do reconhecimento às comunidades de apanhadoras de flores sempre-vivas da região.

O grupo de trabalho, composto por diferentes secretarias municipais, além de pesquisadores e representantes das comunidades apanhadoras, terá a tarefa de apoiar a elaboração, por parte da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex), do dossiê e do Plano de Conservação Dinâmica que deverão ser encaminhados ao Secretariado do GIAHS da FAO até junho de 2018, com levantamentos das atividades de apanhadores de flores sempre-vivas e das medidas previstas para perpetuar as práticas agrícolas ancestrais, melhorando as condições de vida destas comunidades.

Posteriormente, será realizada uma vistoria técnica da FAO in loco. O título foi pleiteado pela Codecex, que busca a manutenção dos territórios tradicionais, o reconhecimento social dos apanhadores de flores, o respeito aos seus direitos, além do acesso às políticas públicas diferenciadas e o aumento da renda.

“Se já estávamos certos de que essa atividade tem um grande potencial para receber o selo da FAO, a formação desse grupo de trabalho nos deixa ainda mais seguros”, ressaltou Marcello Broggio, oficial de programas da FAO no Brasil.

O GIAHS da FAO foi criado em 2002 com o objetivo de preservar sistemas agrícolas marcados pela harmoniosa interação entre comunidades tradicionais e o meio ambiente.

Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs)

Os povos e comunidades tradicionais possuem formas únicas de praticar a agricultura, que expressam saberes particulares, envolvendo desde o cultivo da terra até diversos outros processos simbólicos e produtivos, de maneira integrada, constituindo os chamados Sistemas Agrícolas Tradicionais.

Um SAT pode ser definido como um conjunto de elementos que inclui saberes, mitos, formas de organização social, práticas, produtos, técnicas/artefatos e outras manifestações associadas. Eles formam sistemas culturais que envolvem espaços, práticas alimentares e agroecossistemas manejados por povos, comunidades e agricultores familiares tradicionais. Os SATs integram o patrimônio cultural imaterial das comunidades que os praticam e, de acordo com a FAO, devem ser respeitados, protegidos e promovidos visando manter vivos exemplos de agricultura sustentável.

Fone: ONU

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