Geografia e o Novo Ensino Médio
Análise crítica sobre BNCC, Itinerários e o esvaziamento do pensamento geográfico.
A BNCC e a "Pedagogia das Competências"
A substituição de conteúdos sistematizados pelo foco em "Habilidades e Competências" levanta um alerta na Geografia Escolar. Ao priorizar o fazer e o saber usar, corre-se o risco de negligenciar a base teórica necessária para o pensamento crítico.
"A BNCC tende a reduzir o conhecimento geográfico a uma ferramenta técnica, distanciando o aluno da compreensão ontológica do espaço."- Pragmatismo: Ênfase excessiva em preparar o jovem para o mercado de trabalho imediato.
- Fragmentação: A interdisciplinaridade, se mal aplicada, dilui os conceitos fundamentais (território, lugar, região) em temas genéricos.
Itinerários Formativos: Escolha ou Exclusão?
A promessa de "protagonismo juvenil" através da escolha de itinerários esbarra na desigualdade estrutural das escolas brasileiras. Nem toda instituição consegue oferecer todas as trilhas, o que gera uma "loteria geográfica" na formação dos estudantes.
O Esvaziamento da Carga Horária
Com a expansão dos itinerários, a carga horária das disciplinas propedêuticas (como a Geografia) foi comprimida. O resultado é um ensino de "pílulas de conhecimento", onde temas complexos como Geopolítica e Climatologia são reduzidos a conceitos superficiais em trilhas de "Empreendedorismo" ou "Projeto de Vida".
A Geografia na Área de Ciências Humanas
Ao ser agrupada na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, a Geografia corre o risco de perder sua identidade física e ambiental. As habilidades da BNCC frequentemente fundem História, Geografia, Sociologia e Filosofia de modo que a especificidade do Raciocínio Geográfico se torna difusa.
- Deslocamento da Natureza: O estudo do meio físico perde força frente às abordagens puramente sociológicas.
- Subordinação ao Tema: O conceito geográfico passa a servir ao "tema transversal", em vez de ser o eixo da análise espacial.
Reflexão para o Professor
Diante desse cenário, o papel do professor de Geografia torna-se ainda mais político. É necessário "hackear" os itinerários e as habilidades da BNCC para garantir que o aluno continue desenvolvendo a capacidade de ler o mundo através da análise espacial. Não podemos permitir que a geografia se torne apenas um apêndice informativo, mas sim que continue sendo uma ciência que desvela as contradições do território.